O tempo

Sei lá, às vezes paro pra pensar na vida e nas diversas situações que ela nos coloca - não reclamando, nem bem dizendo: apontando -, e é engraçado. Você tem cinco anos e quer crescer. Ter barba, uma pasta cheia de papéis importantes, um carro e hora pra sair e chegar em casa, "quero ser igual ao papai".

Seu pai, nessa época, muito provavelmente desejava apenas que você não crescesse, e mais, queria ser criança, como você. Não ter responsabilidades, poder chorar na frente de todo mundo, se esconder quando quisesse fugir de algo, ficar sujo o dia todo porque vive na rua jogando bola. Outro caso; 123 mil pessoas querendo um parceiro decente e você com 123 pretendentes sem querer nada com nenhum deles. Egoísmo? Não, ponto de vista. Tu reclamas do seu emprego, mas 123 milhões estão desempregados.

"Isso é normal". Desde quando? O ser humano tem o dom de não se contentar. Aliás, se alguém chegar a ler esse texto, não se contentará com algumas coisas nele citadas também. "Mas o texto é meu". Na verdade não importa. Temos a estranha mania de dar valor à coisas já perdidas. Seja a infância, emprego, amores ou um livro.

O tempo também entra nessa, já que preferimos não fazer nada na maior parte do que chamamos de "tempo livre" - fico imaginando de onde surgiu esse termo, afinal - e quando surge algo que precisamos fazer, a primeira frase que vem à mente é "deveria ter feito isso antes!".  Não é à toa que gatos não ligam muito pro ser humano.

Bicho esperto é o gato que faz o que quer na hora - que contagem chata de passagem do nada - que bem entende - se é que entende, mas precisa entender? O gato vive mais que eu ou você. Não tô falando de tempo - isso é irrelevante. Tu vive anos e não fez nada do que queria. O gato vive 10 anos, apenas e faz tudo o que dá na telha de gato dele, seja sair pra dar uma volta ou simplesmente ficar deitado, ignorando um humano idiota falar com ele com voz de criança.

A questão é que a estúpida contagem do nada chega para todos. A questão é ficar pensando nela ou simplesmente vivê-la. É o dilema de muita gente, geralmente os taxados de loucos. Mas louco quando a passagem passa - ué -, vira gênio. Aliás, estranha mania do ser humano de dar valor à coisas já perdidas.

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