A banda acabou: aceita que dói menos!
Se tem uma coisa que me deixa irritada é gente chorando pelo leite derramado, principalmente nas redes sociais e ultimamente ando lendo - engraçado isso porque eu realmente ando enquanto leio - muita gente falando sobre términos e supostas voltas de banda - comentários impulsionados pela possível reunião de Zeppelin. Três de cinco das minhas bandas favoritas não existem mais (Pink Floyd, Engenheiros do Hawaii e Beatles) e sinceramente, eu não queria que fosse diferente.
Música significa muito pra mim e o que não existe, não pode mais te decepcionar. É uma boa forma de se pensar.
Pink Floyd:
Os fãs de Floyd são uns eternos apaixonados e acho isso maravilhoso. Cada vez que ouvimos um álbum, é como se fosse a primeira vez - cada álbum com suas particularidades, detalhes e sensações. Geralmente se dividem em "time Waters" e "time Gilmour" e começam a especular sobre de quem seria a culpa pelo fim da melhor banda do universo - sou suspeita. Sinceramente, sou time Gilmour. O que não dá toda a culpa a Waters. Bandas são conjuntos de pessoas que pensam, trabalham e vivem juntas, a culpa pode ser de todos, ou de ninguém.
Agora vamos imaginar que mesmo com as tensões da vida, a banda tivesse continuado. Como criar livremente ao lado de alguém que não te deixa à vontade? Será que sairiam dali boas criações? Provavelmente, sim, no começo. Mas depois de um tempo? Acho que as coisas sempre acontecem por um motivo.
Engenheiros do Hawaii:
Geralmente os mais inconformados com a vida somos nós, os "de fé". Não que eu seja inconformada, pra mim, não faz diferença, e não é porque eu não goste do Humberto Gessinger em banda. Depois do fim da formação GLM - último álbum da formação: 1993 -, as coisas ficaram mais instáveis e as mudanças de formação constantes. Ainda assim, a essência da banda era a mesma: as letras e a instrumentabilidade do Gessinger ainda eram o guia que levava o nau - muitas vezes à deriva. Preso ao formato "banda de rock nacional dos anos 80", muitas criações gessingerianas foram limitadas e suprimidas. Os discos Simples de Coração (1995), Gessinger Trio (1996) e Minuano (1997) mostram um pouco disso, e foram discos injustamente criticados na época.
Agora, anunciando o show unicamente com seu nome, Humberto Gessinger volta ao formato power trio. Trás artistas para participações especiais, muda letras, arranjos. Põe acordeon em músicas gravadas na época mais "rock n' roll" dos Engenheiros. Sem pressão, sem rótulos. Não é uma banda de rock. É um artista, experimentando, renovando e inovando. Com a mesma essência de 1985. E com um disco de ouro a mais na parede.
The Beatles:
Talvez, só talvez eu tenha me equivocado ao dizer que os de fé são os mais inconformados: os beatlemaníacos são concorrentes fortíssimos ao cargo. Aliás, foram os beatlemaníacos que me deram a ideia de escrever esse texto. Uma guria disse que hoje era aniversário da Yoko Ono, porém em todo lugar que eu já li sobre ela, a data de nascimento marcada era 18 de fevereiro de 1933. Os fãs da banda começaram a discutir sobre isso e logo em seguida, a discussão que era sobre a data virou "Quem se importa? Ela acabou com os Beatles!".
Não acho que seja bem assim. John Lennon era adulto e bem inteligente, sabia muito bem o que fazia. Claro que deveria ser bem desconfortável ela estar ali o tempo todo, como se fosse uma quinta integrante, opinando e participando de tudo - afinal, a formação John, George, Ringo e Paul estava junta desde 1962. Mas a tensão dentro da banda era visível nos shows e entrevistas, imagine dentro do estúdio. As brincadeiras diminuíram, as carrancas aumentaram e de repente: o fim da banda, sem chance de volta porque em 1980, um dos inconformados matou Lennon, afirmando que a culpa do fim era dele.
"OH, SE JOHN NÃO TIVESSE MORRIDO!" eu ouço sempre. Mas eles não teriam voltado. Seguiram carreira solo, e estavam gostando da sensação. Paul principalmente. Além do que, mesmo se tudo isso tivesse acontecido, não teríamos Beatles até os dias atuais - George morreu em 2001.
Disse Gessinger "há tempo certo para tudo e para tudo uma razão" e é uma das frases que mais uso. Claro que seria ótimo ver um pouco do que acontecia na época de shows dessas bandas, mas temos que lembrar que por trás de todo o sucesso e genialidade, existem pessoas e às vezes as coisas dão errado. Pessoas que passam muito tempo juntas tendem a perder as estribeiras umas com as outras, às vezes, vezes demais. É preciso saber a hora de dizer adeus, e isso vale pra tudo na vida, não só no caso das bandas. Então, vamos aceitar que acabou e aproveitar o legado que eles deixaram, não é? Melhor do que ficar reclamando que acabou ;D
Bah1: Pelo amor de Deus, parem de perguntar pro Humberto se a banda vai voltar, se ele for grosso, vocês não vão poder reclamar.
Bah2: Meu amor por essas bandas nunca será menos porque não desejo o retorno delas, disso vocês podem ter certeza.
Até a próxima curva.
Música significa muito pra mim e o que não existe, não pode mais te decepcionar. É uma boa forma de se pensar.
Pink Floyd:
Os fãs de Floyd são uns eternos apaixonados e acho isso maravilhoso. Cada vez que ouvimos um álbum, é como se fosse a primeira vez - cada álbum com suas particularidades, detalhes e sensações. Geralmente se dividem em "time Waters" e "time Gilmour" e começam a especular sobre de quem seria a culpa pelo fim da melhor banda do universo - sou suspeita. Sinceramente, sou time Gilmour. O que não dá toda a culpa a Waters. Bandas são conjuntos de pessoas que pensam, trabalham e vivem juntas, a culpa pode ser de todos, ou de ninguém.
Agora vamos imaginar que mesmo com as tensões da vida, a banda tivesse continuado. Como criar livremente ao lado de alguém que não te deixa à vontade? Será que sairiam dali boas criações? Provavelmente, sim, no começo. Mas depois de um tempo? Acho que as coisas sempre acontecem por um motivo.
Engenheiros do Hawaii:
Geralmente os mais inconformados com a vida somos nós, os "de fé". Não que eu seja inconformada, pra mim, não faz diferença, e não é porque eu não goste do Humberto Gessinger em banda. Depois do fim da formação GLM - último álbum da formação: 1993 -, as coisas ficaram mais instáveis e as mudanças de formação constantes. Ainda assim, a essência da banda era a mesma: as letras e a instrumentabilidade do Gessinger ainda eram o guia que levava o nau - muitas vezes à deriva. Preso ao formato "banda de rock nacional dos anos 80", muitas criações gessingerianas foram limitadas e suprimidas. Os discos Simples de Coração (1995), Gessinger Trio (1996) e Minuano (1997) mostram um pouco disso, e foram discos injustamente criticados na época.
Agora, anunciando o show unicamente com seu nome, Humberto Gessinger volta ao formato power trio. Trás artistas para participações especiais, muda letras, arranjos. Põe acordeon em músicas gravadas na época mais "rock n' roll" dos Engenheiros. Sem pressão, sem rótulos. Não é uma banda de rock. É um artista, experimentando, renovando e inovando. Com a mesma essência de 1985. E com um disco de ouro a mais na parede.
The Beatles:
Talvez, só talvez eu tenha me equivocado ao dizer que os de fé são os mais inconformados: os beatlemaníacos são concorrentes fortíssimos ao cargo. Aliás, foram os beatlemaníacos que me deram a ideia de escrever esse texto. Uma guria disse que hoje era aniversário da Yoko Ono, porém em todo lugar que eu já li sobre ela, a data de nascimento marcada era 18 de fevereiro de 1933. Os fãs da banda começaram a discutir sobre isso e logo em seguida, a discussão que era sobre a data virou "Quem se importa? Ela acabou com os Beatles!".
Não acho que seja bem assim. John Lennon era adulto e bem inteligente, sabia muito bem o que fazia. Claro que deveria ser bem desconfortável ela estar ali o tempo todo, como se fosse uma quinta integrante, opinando e participando de tudo - afinal, a formação John, George, Ringo e Paul estava junta desde 1962. Mas a tensão dentro da banda era visível nos shows e entrevistas, imagine dentro do estúdio. As brincadeiras diminuíram, as carrancas aumentaram e de repente: o fim da banda, sem chance de volta porque em 1980, um dos inconformados matou Lennon, afirmando que a culpa do fim era dele.
"OH, SE JOHN NÃO TIVESSE MORRIDO!" eu ouço sempre. Mas eles não teriam voltado. Seguiram carreira solo, e estavam gostando da sensação. Paul principalmente. Além do que, mesmo se tudo isso tivesse acontecido, não teríamos Beatles até os dias atuais - George morreu em 2001.
Disse Gessinger "há tempo certo para tudo e para tudo uma razão" e é uma das frases que mais uso. Claro que seria ótimo ver um pouco do que acontecia na época de shows dessas bandas, mas temos que lembrar que por trás de todo o sucesso e genialidade, existem pessoas e às vezes as coisas dão errado. Pessoas que passam muito tempo juntas tendem a perder as estribeiras umas com as outras, às vezes, vezes demais. É preciso saber a hora de dizer adeus, e isso vale pra tudo na vida, não só no caso das bandas. Então, vamos aceitar que acabou e aproveitar o legado que eles deixaram, não é? Melhor do que ficar reclamando que acabou ;D
Bah1: Pelo amor de Deus, parem de perguntar pro Humberto se a banda vai voltar, se ele for grosso, vocês não vão poder reclamar.
Bah2: Meu amor por essas bandas nunca será menos porque não desejo o retorno delas, disso vocês podem ter certeza.
Até a próxima curva.
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